quinta-feira, 17 de abril de 2008

Minha trisavó pseudo-jornalista e o Duda Trevizani da TV Prevê

Estava eu a procurar dados sobre meus ancestrais e não é que descobri que minha trisavó, portuguesa, era uma espécie de jornalista lá na “terrinha” de outros patrícios – ora, pois. Estou a acreditar que ela andava a dar notícias à toda a gente da aldeia da região de trás-os-montes! Duda Trevizani, sem querer, me fez um grande favor ao dizer que minha avó é que era pseudo-jornalista.

Me estimulou à pesquisa. Se calhar, agora com minha ida à África e Europa, aproveito para aprofundar a pesquisa e, claro, tomar muito azeite para ver se fico mais belo, ou menos feio e azedo. Mas Trevizan errou por duas gerações, porque, a bem da verdade, era a bisavó de minha avó quem, pois, se metia a tal. Baixinha, porém falante e comunicativa, andava a dar em primeiro, as últimas.

Bem, mas é preciso lembrar que como os rábulas, práticos e pseudos-jornalistas – a partir do acúmulo de experiências vindas até ali do empirismo – houve acúmulo de cabedal científico à universidade, que também forma bons professores, bem assim advogados, farmacêuticos, médicos e, pasmem, jornalistas. E a universidade é necessária porque não há tempo de se formar no dia-a-dia.

Em relação ao desafio de ser entrevistado por Duda um ‘jornalista feito na fábrica’, como diria meu grande mestre José Ferreti, está topado. Vou lá defender o bom jornalismo, feito por jornalista forjado na universidade e na vida, concomitantemente. Para quem não sabe, Duda, é ótimo professor e defende a formação para essa profissão. Na condição de jornalista-sindicalista, defendo a formação profissional.

É óbvio que tem bons e maus professores e jornalistas, mesmo tendo ambos passado por ótimas universidades. Para quem não sabe, Duda foi por cerca de três décadas jornalista de fábrica no jornal que criou e que teve extrema importância na região: o Diário de Bauru. Acho-o bom na comunicação, mas, adoraria que ele abrisse o espaço de trabalho para um colega e seguisse como comentarista, em educação.

E por falar em jornalista de direito, mas, sabe-se lá se de espírito - especialmente na questão da solidariedade com a classe - repudio a omissão do editor da Tribuna Lençoense, Eduardo Magalhães, no episódio da demissão da jornalista Tânia Morbi. Consta que Magalhães, outrora indicado por essa colega, a preteriu ante ao embate com dois pretensos profissionais detentores de registro precário.

Precárias também são as informações sobre as ocupações – e não invasões – pelos trabalhadores sem terras. Quando são empresários que ocupam terras públicas, o tratamento – inclusive deste Eco – é outro. Não vi aqui, nem na mídia regional, matéria que os mostre como usurpadores. Mondellis, Nagasawas e tantos outros empresários se apossam de terras públicas e ninguém diz nada!

É verdade que tem empresários explorando-as, sem qualquer retorno financeiro para o erário, com culturas que vão da cana-de-açúcar à criação de gado de corte. Há milhares de hectares em nossa região de terras devolutas, públicas, terra do povo para ser lavrada pelo povo. Mas alguns ‘jornalistas’ gostam mesmo de bater nesses que parecem indefesos. Ledo engano, pois, o povo não é bobo.
Mas longe do bastidor da notícia, recebi em primeira mão que o vereador Manoel dos Santos Filho, o Mané, conseguiu junto ao secretário Mauro Arce três conquistas para Lençóis: 1) 16 km de asfaltamento à avenida marginal da Rodovia Marechal Rondon, 2) 4 km de asfaltamento para alça de acesso à cidade e 3) passarela para pedestres transporem a rodovia na altura das empresas do Grupo Lwart.

Com mais essas conquistas, já trouxe à cidade mais de R$ 2 milhões – muito além do que ‘competentes’ prefeitos da região. Mais do que nunca, Mané se credencia para o cargo de prefeito. Já imaginaram o que não faria como tal? Pois é, mas, esse garoto de ouro não tem valor no seu grupo político porque é do povo, mas é pobre, preto e nordestino. Imagina se pode se atrever com a aristocracia sertaneja!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Da cosmopolita Paris à Boca do Sertão paulista

“Não concordo com uma palavra do que dizeis, mas, defenderei até a morte o direito de dizê-la”. A frase é atribuída a Voltaire, pensador francês. A liberdade de expressão é vital para a democracia. Mas vemos, ouvimos e lemos cada coisa! Dia desses, assisti na TV Prevê uma entrevista do pseudo-jornalista Duda (Gerson) Trevizani com dois jornalistas, um dos quais Eduardo Magalhães. Fiquei preocupado.

O editor na Sociedade Rádio Difusora, falou sobre vários temas e na política insistiu em dizer que o vereador Ailton Laurindo, o Tipó, não está em seu momento para ser candidato a prefeito de Lençóis Paulista. E Magalhães disse isso na condição de ‘analista político’ ou subalterno da patroa pré-candidata ao mesmo cargo? Jornalistas deveriam se abster quando o assunto envolve interesse do qual é partícipe.

Muita gente sabe que Magalhães é funcionário da pretensa candidata, mas, em momento algum deixou isso claro. Quem não o conhece, pode achar que sua ‘análise’ é isenta, quando, na verdade, não é. Mas minha preocupação vai além do período eleitoral. Me preocupo com a verdade, credibilidade da informação. Teria sido de bom tom a menção de sua condição de funcionário da patroa-pré-candidata.

Por essa mostra de comportamento, e considerando que a patroa possa vencer, será que haverá o distanciamento necessário para cobrir os assuntos da municipalidade, com o mínimo de imparcialidade? Ou os veículos desse grupo econômico, que inclui a Ventura FM, serão correia de transmissão do governo? Ou melhor, ainda mais, haja vista que hoje já é, e olha que a patroa é só diretora municipal.

Mas e se ela se eleger, como é que as empresas de comunicação de sua propriedade participarão de licitação para veiculação de editais e comunicados municipais escritos ou sonoros, tendo em vista que a lei proíbe. A rigor, nem mesmo hoje poderia. Se não chega a ser ilegal, certamente, é imoral. O princípio da impessoalidade, moralidade, transparência vai ficar lá, aos mofos, na Constituição Federal!

Também o Eco não fica muito distante do conceito de veículo chapa-branca. Tanto lá quanto cá, e pelas notícias que veicula, a administração atual vai bem, obrigado! Não há uma matéria que traga qualquer tipo de problema da urbe. Cidade maravilhosa. É sinal de que não há problema? Muito raramente há crítica branda sobre uma ou outra mazela. Nos últimos tempos, parece que só há problemas em Agudos.

Outro dia, a editora do Eco disse que não faria uma matéria a partir de uma nota aqui veiculada, porque não havia ‘registro formal de denúncia’. Pode uma coisa dessas? Por esse raciocínio, devemos esperar que alguém faça uma denúncia formal para noticiar? Pelo jeito, a auto-censura perdura. Acho que precisamos nesta e nas outras redações de um curso sobre o que é jornalismo. Poderia acrescentar o de jornalismo investigativo.

Deixemos de lado os que trabalham com para falar daqueles que são notícia. Em Barra Bonita, mais um nome deve ser considerado como pré-candidato à sucessão no Palacete Hermínio de Lima. Trata-se de Marcelo Cavinato (PT), que deixou o governo Mário Teixeira (PC do B) e deve disputar as prévias com o vereador Matheus Stangherlin e Marco Polo Falkembach Vieira, assessor de turismo.

O prefeito Mário Teixeira tem esperanças de juntar a esquerda e nessa direção já descartou dobrar com seu atual vice-prefeito, Marcos Prado (PP). Apesar de não agradar os canhotos, uma frente de esquerda poderia inviabilizar os planos de retorno de Nenê Teixeira à prefeitura ou mesmo de representantes dos comerciantes e empresários nas figuras de Fátima Gabriel e Jorge de Assis. Se houver racha, Nenê volta!

Ainda nesta semana deve acontecer conversações entre Mário Teixeira e os representantes dos partidos da frente de esquerda (PC do B, PSB, PT...) e há clima para diálogo em torno de composição sobre um programa que possa, de fato, garantir a existência de governo democrático e popular. Em seu favor, Teixeira tem série de realizações a apresentar. Até o final do mandato, mais obras devem se materializar!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Do espírito de corpo ao desrespeito com a vida dos trabalhadores rurais

Antes de mais nada uma correção. Marquinhos Gava está na mesa Diretora da Câmara da Barra e já foi presidente, mas, o cargo é de Manoel Fabiano Ferreira Filho – o Manezinho, quem já referenciei nesta coluna como tal e que também é primo de Zezinho Biliazzi, o vereador condenado por estelionato que se livrou da cassação. Ele conseguiu o improvável: habeas corpus!

Também o improvável aconteceu no âmbito da Justiça Eleitoral, que demorou um ano para comunicar ao Legislativo barra-bonitense a condenação e a perda de mandato do referido vereador. E depois a Câmara, ‘democrática’ que é levou meses para tomar uma decisão que deveria ser imediata. Por essas e outras é que os oponentes de Biliazzi não se conformam com o espírito de corpo cameral.

Nunca antes neste País, um presidente da República teve tão alto índice de aceitação pela população – nem mesmo quando Jânio Quadros colocava os sanduíches de mortadela no paletó e o palheiro na orelha. Lula emociona no discurso e mostra na prática que a mudança é possível. Até o governo tucano de Lençóis recebe atenção. Os recursos já ultrapassam a casa dos R$ 10 milhões.

Há muitas e significativas mudanças. Para melhor, claro. Nunca se viu tantos caminhões e carros pelas estradas e nas cidades. A economia vai bem e na contramão de direção de outras que outrora eram o ‘must’. Chega a dar medo. Mais gente pode comer melhor, acessar coisas que até aqui lhes eram supérfluas, inclusive a educação universitária. Os de direita, claro, estão com o humor às avessas.

Distimia sistêmica. E estão revoltados porque agora é tão comum ver p. p. e pobre em aeroportos, congestionando o sistema e, em especial, tirando o ‘glamour’ antes exclusivo da ‘high society’. Azar deles. Sociedade democrática tem que oferecer igualdade de condições, o que ainda está longe de acontecer no Brasil pseudo-neo liberal. Aqui ainda grassa o escravismo.

E para ficar no tema, mais uma vitória contra a precarização no mundo do trabalho sucroalcooleiro. A Justiça Federal condenou várias usinas da região de Araraquara a cumprirem com a lei 4870/65. Elas são obrigadas a cumprir com o PAS – Programa de Assistência Social. A Federação de Empregados Rurais promete efeito cascata. Vai ingressar com a mesma ação por todo SP.

Essa lei obriga os produtores de cana (1%), açúcar (2%) e álcool (1%) a investir os percentuais sobre a venda desses em programas sociais, inclusive assistência médica. De 1999 até hoje, com a pseudo-desregulamentação do setor, tendo fim o Instituto do Açúcar e do Álcool – IAA, cerca de R$ 3 bilhões de reais deixaram de ser investidos e agora a Justiça tenta reparar com as condenações.

Algumas empresas não acabaram com o programa, mas, se livraram da sua aplicação ampla a partir da terceirização da mão de obra – o que também, conforme julgados de 1a e 2a instâncias judiciais do trabalho, é ilegal. A idéia era a de que, em não havendo funcionários, não seria necessária a manutenção do programa. O duro é que isso foi feito por empresas ‘socialmente responsáveis’!

E por falar em ‘responsabilidade’, seis vereadores de Agudos, ‘preocupados’ com o desenvolvimento de projetos legislativos viajaram para Santos para o Congresso de Municípios. Certamente para o ano, quererão intercambiar com colegas de outros países. Não faz tempo, um grupo de parlamentares brasileiros foi flagrado em Buenos Aires em atividades de ‘alto interesse’ dos cidadãos.

Mas nem só de más notícias vivem os jornalistas. Há uma alvissareira que dá conta de que os nossos artistas-maiores André e Mateus estão aqui em São Paulo. Eles gravariam quarta-feira participação no programa Terra Nativa com os irmãos Guilherme e Santiago. Como vencer o trânsito na capital é difícil, vão os parabéns por esta coluna mesmo. Qualquer dia, pessoalmente.